terça-feira, 29 de novembro de 2011

clientes nao devem enfrentar problemas com voos da american airlines



Quem comprou passagens da American Airlinesnão deverá enfrentar maiores problemas com os voos. O fato de a companhia aérea americana ter entrado com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos não deverá comprometer, no curto prazo, suas operações, avaliam fontes do setor.
A expectativa de um consultor é de que a empresa conseguirá conduzir seu processo de reestruturação e sairá mais fortalecida, assim como ocorreu com outras grandes aéreas nos Estados Unidos, como United Airlines e a Delta Airlines. Ambas também recorreram, ao longo da última década, ao "Chapter 11", capítulo da Lei de Falência americana e que inspirou a recuperação judicial no Brasil.  
No médio prazo, porém, é possível que a qualidade dos serviços oferecidos pela companhia piore, já que as empresas que entram em processo de recuperação judicial precisam cortar despesas para ganhar competitividade. E os cortes  acabam causando mais atritos com funcionários e pilotos.
Entre as companhias americanas, a American é a que possui a maior presença no mercado brasileiro. Além de controlar o ‘hub’ de Miami, o destino mais importante para os brasileiros, a American opera voos diretos de São Paulo e Rio de Janeiro para outras cidades relevantes nos Estados Unidos, como Nova York, Dallas.
Surpresa no mercado americano
Em entrevista ao iG de Nova York, o consultor Luis de Lúcio, executivo da Alvarez & Marsal, afirma que o pedido de recuperação judicial da American Airline foi uma “grande surpresa” para o mercado, tanto assim que as ações da companhia despencaram na bolsa americana nesta terça-feira. Os papéis, que estavam cotados na segunda-feira a US$ 1,70, despencaram para até US$ 0,20 durante o dia. Mais tarde, as ações estavam sendo negociadas por US$ 0,30.
Com a queda dos papéis, o valor de mercado da companhia aérea derreteu, atingindo cerca de US$ 100 milhões apenas. No passado, a American já foi a maior companhia aérea americana, mas hoje está em terceiro lugar, depois da United/Continental Airlines e da Delta Airlines.
“Mas a grande diferença é que a American Airlines possui muito dinheiro em caixa, cerca de US$ 4 bilhões. Com certeza, a empresa vai conseguir se reestruturar e sair da recuperação judicial”, afirma de Lúcio. Segundo ele, com esses recursos em caixa, a companhia possui condições para continuar operando.
O pedido de recuperação judicial da American Airlines não é caso isolado nos Estados Unidos. Pelo contrário. A United Airlines entrou com pedido de recuperação em 2002 e a Delta em 2005. E ambas não só conseguiram se levantar como conduziram depois fusões e aquisições.
A American Airlines vinha tentando evitar a recuperação judicial nos últimos dez anos. “A empresa sempre manteve um relacionamento mais saudável com os sindicatos e era uma exceção à regra. Mas acabou ficando pouco competitiva, enquanto seus concorrentes reduziram custos”, afirma de Lúcio. 
Na sua avaliação, a American Airlines deverá sair, financeiramente, mais fortalecida do processo de recuperação judicial. “As outras empresas que passaram por recuperação judicial ficaram mais flexíveis e leves”, diz o consultor. 

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